Escritos do ateliê · sobre a obra

Prelúdio do Entardecer — uma nota

por Lara Baruzzo · 3 min de leitura

Prelúdio é o que anuncia, o que precede. Sabe aquela sensação boa de fim de tarde? É essa sensação que quis transmitir na obra.

Mas por que com um enxame de guarás? Além de sua enorme beleza exótica, os guarás são endêmicos no Paraná — e quase foram extintos por estas terras. Já se dava como certo que nunca mais se recomporiam, até que, pelos milagres que a vida nos mostra, ressurgem novamente neste habitat.

Em nossas vidas, a ressurreição — o renascer — deve ser a imagem que nos guie.

Louis Lavelle, no apêndice de De l’intimité spirituelle, escreve: “Há na vida momentos privilegiados em que parece que o universo se ilumina, que nossa vida nos revela sua significação, que nós queremos o destino mesmo que nos coube como se nós próprios o tivéssemos escolhido. Depois, o universo volta a fechar-se, e já não caminhamos senão tateando por um caminho obscuro em que tudo se torna obstáculo a nossos passos. A sabedoria consiste em conservar a lembrança desses momentos fugidios, em saber fazê-los reviver, em fazer deles a trama de nossa existência cotidiana e, por assim dizer, a morada habitual de nosso espírito.”

Fiz essa obra enorme em meio à pandemia, com todas as inseguranças pessoais possíveis. O que mais me importava era manter-me fiel a esse sentimento — a esses momentos privilegiados que, com sabedoria, devo guardar dentro de mim, independentemente das circunstâncias.

Escritos do ateliê

Receba os próximos textos