Escritos do ateliê · sobre a obra

London Strike — onde tudo começou

por Lara Baruzzo · 4 min de leitura

Talvez aí foi onde tudo começou. Em 2011, fiz um intercâmbio em Londres e fiquei num bairro cuja maioria da população vinha de nações africanas.

Ocorreram, enquanto eu estava na viagem, os The Riots de 2011: motins em vários bairros da Inglaterra, começados em Tottenham Hale após a morte de Mark Duggan, um homem morto a tiros pela polícia em 4 de agosto.

Os protestos ampliaram-se — saques, estabelecimentos queimados, cinco mortos. Ao estar no meio de tiroteio e fogo, cheguei na casa da minha homestay e a cena me foi chocante: os filhos de uma imigrante jamaicana solteira brincavam de polícia e bombeiro enquanto, na televisão, um ônibus em chamas era visto pela mãe. Eu me arrastava agachada pelas ruas para não ser atingida — as crianças pareciam ensaiar os papéis sociais que logo assumiriam, as tensões raciais.

Fiz a obra em laranja, com as cortinas representando pictoricamente o fogo entrando na casa. Foi ali que todo o meu sentimento pelo assunto começou. Desde então foram várias notícias de mortes assim — e, ao mesmo tempo, me lembro de vibrar e chorar em oração com aquela família frente às dificuldades, e da força que encontravam no núcleo familiar.

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