Escritos do ateliê · ensaio

Sobre o retrato

por Lara Baruzzo · 4 min de leitura

Um retrato, enquanto obra de arte, valoriza o humano — porque nos apresenta a imagem de um ser humano e sua vida numa tentativa de permanência, em oposição à banalização da imagem.

Antes, posar para uma foto era algo de extrema importância. Era uma forma de guardar uma lembrança da existência — uma lembrança que remetia à seriedade com que essa vida era possuída pelo modelo que posava para o retrato fotográfico de antigamente.

O que essa vida significa para nós? O retrato nos limpa da obsessão individualista para valorar esse outro em sua aparência, enquanto presença na materialidade do papel ou da tela. É um processo de reconciliação conosco, para novamente permitir o encontro através do olhar do outro. Em contraposição a eventos descartáveis e à banalidade, contempla a existência, a permanência e a sacralidade do humano — sua máxima subjetivação.

Dar permanência e valor àquilo que é perene é uma maravilhosa mentira à nossa condição humana. O retrato ainda é uma representação perspicaz na pós-modernidade, pois ainda estamos buscando algum valor para essa vida enquanto estamos numa situação paradoxal de nascer morrendo e morrer nascendo. Ele substancializa esse movimento no ápice dessa existência. Não é um olhar aleatório: é um olhar para a eternidade.

Escritos do ateliê

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