Via Crucis NegraGlória e Paixão
Quinze estações em óleo sobre tela com folha de ouro 24k. A Paixão de Cristo relida a partir da longa história do corpo negro no Brasil — da cana ao cafezal, do pelourinho à ressurreição.
Cada estação é pintada em grande formato, camada sobre camada, na paciência da técnica renascentista. O ouro — verdadeiro e réplica — não decora: sacraliza e denuncia ao mesmo tempo, devolvendo dignidade litúrgica a corpos historicamente expostos à violência.
A lavoura brasileira atravessa a série como paisagem e como cruz: o feixe de cana, o cafezal, o pelourinho colonial. Ao fim, a Ressurreição dos homens negros fecha o percurso com a glória que a Paixão prometia.
As estações
Via Crucis Negra: Glória e Paixão · I EstaçãoO Julgamento de Pilatos
Óleo sobre tela com aplicação de folha de ouro 24k e réplica · 208 × 300 cm · 2022
Primeira Estação da série. O tribunal transposto para a longa história do julgamento do corpo negro no Brasil — em grande formato, com ouro verdadeiro sobre o óleo.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · II EstaçãoO Negro carrega a cana
Óleo sobre tela com aplicação de réplicas em folha de ouro · 160 × 147 cm · 2018
Segunda Estação. A cruz de Cristo relida como o feixe de cana carregado pelo escravizado — o peso da história agrícola brasileira sobre um corpo santificado pelo ouro.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · III EstaçãoO negro cai pela primeira vez
Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 160 × 160 cm · 2019
Terceira Estação. A primeira queda — pintada com a paciência das camadas do óleo, o corpo em suspenso entre o chão e a glória.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · V EstaçãoO negro é ajudado por Cireneo
Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 177 × 162,9 cm · 2020
Quinta Estação. O gesto solidário do outro — uma teologia da mão que ampara, contra o silêncio dos que passam.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · VI EstaçãoVerônica enxuga o rosto do negro
Óleo sobre tela com réplica em folha de ouro · 158,3 × 167 cm · 2020
Sexta Estação. O véu que recebe o rosto — uma imagem sobre memória, testemunho e a economia dos gestos mínimos que salvam.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · VII EstaçãoO negro cai pela segunda vez
Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 181 × 161 cm · 2019
Sétima Estação. A queda que se repete — e a insistência do levantar como forma de resistência.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · VIII EstaçãoO negro consola as mulheres que choram
Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 210 × 190 cm · 2020
Oitava Estação. O encontro com as mulheres — descanso, trance e cuidado sob o café e a cana, no ouro que sacraliza o gesto coletivo.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · IX EstaçãoO negro cai na terceira volta
Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 181,2 × 161,5 cm · 2020
Nona Estação. A terceira queda — a exaustão elevada ao gesto litúrgico.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · XII EstaçãoO negro morre no Pelourinho
Óleo sobre tela com aplicação de réplica em folha de ouro · 260 × 160 cm · 2021
Décima Segunda Estação. O momento da morte no pelourinho colonial — o cume da paixão brasileira, o silêncio dourado.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · XIII EstaçãoA Descida do Pelourinho
Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 153 × 153 cm · 2017
Décima Terceira Estação. A pietá relida a partir do pelourinho brasileiro — o corpo negro descido do madeiro colonial, envolto em folha de ouro que ao mesmo tempo sacraliza e denuncia. Obra apresentada como referência em trabalho acadêmico da Universidade de Belas Artes da Colômbia.
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Via Crucis Negra: Glória e Paixão · XV EstaçãoA Ressurreição dos homens negros
Óleo sobre tela com réplica em folha de ouro · 400 × 200 cm · 2022
Décima Quinta Estação. O fecho luminoso da série — a glória depois da paixão, o corpo negro reerguido em ouro, sustentado por uma comunidade que também ressurge.
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