Série · 2017 — 2022

Via Crucis NegraGlória e Paixão

Quinze estações em óleo sobre tela com folha de ouro 24k. A Paixão de Cristo relida a partir da longa história do corpo negro no Brasil — da cana ao cafezal, do pelourinho à ressurreição.

Sobre a série

Cada estação é pintada em grande formato, camada sobre camada, na paciência da técnica renascentista. O ouro — verdadeiro e réplica — não decora: sacraliza e denuncia ao mesmo tempo, devolvendo dignidade litúrgica a corpos historicamente expostos à violência.

A lavoura brasileira atravessa a série como paisagem e como cruz: o feixe de cana, o cafezal, o pelourinho colonial. Ao fim, a Ressurreição dos homens negros fecha o percurso com a glória que a Paixão prometia.

Percurso

As estações

  1. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · I Estação

    O Julgamento de Pilatos

    Óleo sobre tela com aplicação de folha de ouro 24k e réplica · 208 × 300 cm · 2022

    Primeira Estação da série. O tribunal transposto para a longa história do julgamento do corpo negro no Brasil — em grande formato, com ouro verdadeiro sobre o óleo.

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  2. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · II Estação

    O Negro carrega a cana

    Óleo sobre tela com aplicação de réplicas em folha de ouro · 160 × 147 cm · 2018

    Segunda Estação. A cruz de Cristo relida como o feixe de cana carregado pelo escravizado — o peso da história agrícola brasileira sobre um corpo santificado pelo ouro.

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  3. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · III Estação

    O negro cai pela primeira vez

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 160 × 160 cm · 2019

    Terceira Estação. A primeira queda — pintada com a paciência das camadas do óleo, o corpo em suspenso entre o chão e a glória.

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  4. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · V Estação

    O negro é ajudado por Cireneo

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 177 × 162,9 cm · 2020

    Quinta Estação. O gesto solidário do outro — uma teologia da mão que ampara, contra o silêncio dos que passam.

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  5. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · VI Estação

    Verônica enxuga o rosto do negro

    Óleo sobre tela com réplica em folha de ouro · 158,3 × 167 cm · 2020

    Sexta Estação. O véu que recebe o rosto — uma imagem sobre memória, testemunho e a economia dos gestos mínimos que salvam.

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  6. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · VII Estação

    O negro cai pela segunda vez

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 181 × 161 cm · 2019

    Sétima Estação. A queda que se repete — e a insistência do levantar como forma de resistência.

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  7. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · VIII Estação

    O negro consola as mulheres que choram

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 210 × 190 cm · 2020

    Oitava Estação. O encontro com as mulheres — descanso, trance e cuidado sob o café e a cana, no ouro que sacraliza o gesto coletivo.

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  8. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · IX Estação

    O negro cai na terceira volta

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 181,2 × 161,5 cm · 2020

    Nona Estação. A terceira queda — a exaustão elevada ao gesto litúrgico.

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  9. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · XII Estação

    O negro morre no Pelourinho

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica em folha de ouro · 260 × 160 cm · 2021

    Décima Segunda Estação. O momento da morte no pelourinho colonial — o cume da paixão brasileira, o silêncio dourado.

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  10. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · XIII Estação

    A Descida do Pelourinho

    Óleo sobre tela com aplicação de réplica de folha de ouro · 153 × 153 cm · 2017

    Décima Terceira Estação. A pietá relida a partir do pelourinho brasileiro — o corpo negro descido do madeiro colonial, envolto em folha de ouro que ao mesmo tempo sacraliza e denuncia. Obra apresentada como referência em trabalho acadêmico da Universidade de Belas Artes da Colômbia.

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  11. Via Crucis Negra: Glória e Paixão · XV Estação

    A Ressurreição dos homens negros

    Óleo sobre tela com réplica em folha de ouro · 400 × 200 cm · 2022

    Décima Quinta Estação. O fecho luminoso da série — a glória depois da paixão, o corpo negro reerguido em ouro, sustentado por uma comunidade que também ressurge.

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